Sensei Suspensions

SENSEI SUSPENSIONS


Sobre Ricardo Sato
Praticante de motocross, supermoto, engenheiro mecânico, vendedor, piloto de testes homologado pela HRC e agora colunista do MX Racing. Com uma biografia capaz de brigar por um Oscar no Hollywood Awards, Ricardo Sato, mais conhecido como Mi, foi uma das mentes brilhantes da marca japonesa no Brasil. Você tem uma moto Honda Flex? Então agradeça este cara.

O dia era 20 de agosto de 1971 quando Dona Keiko Murakami Sato deu a luz a um pequeno prodígio, que tinha uma vida cheia de conquistas pela frente. De vendedor à mecânico de carros, motos, bicicletas e até mesmo multi campeão paulista de ginástica olímpica. O currículo é extenso e continua crescendo até hoje. 

Como Começou
A história toda começou desde que Mi era jovem, com a influência de Masuo Murakami. Para quem não conhece, Masuo, tio de Mi, foi um dos pioneiros do motocross no Brasil, organizando grandes provas do circuito nacional. Tio Mura começou a motivar o sobrinho, na época com 13 anos de idade, a andar de moto em um sitio em Itupeva, SP. À convite de seus companheiros da Honda Japão, o tio de Mi abriu uma oficina, implantando a marca em solo brasileiro. Não demorou muito até Mi mostrar sinais de que teria um futuro brilhante. Em 89, Mi participou do campeonato Honda Racing Show, e sagrou-se campeão da categoria 150 4T competindo com uma XL 150 S Muggen preparada por ninguem menos que Wilson Yasuda.

Sua participação na Honda começou quando Tio Mura abriu a primeira concessionária de carros da marca no Brasil, em 92, onde ficou por 5 anos, passando por quase todos os setores de trabalho desde auxiliar de mecânico à vendedor. Foi então que Mi conheceu Kazuhiko Kobayashi, um grande técnico da Honda no Japão, e resolveu seguir o mesmo caminho e participar dos projetos e engenharias da marca.

Com foco nas competições, entrou para a Honda Racing Brasil em 98 e se aprofundou em desenvolvimentos e preparações de projetos. Mi fez uma viagem ao Japão onde tirou sua Licensa de Pilotagem especial para testes de motocicletas, lhe dando o direito de pilotar e avaliar qualquer moto Honda do mundo, exceto as do MotoGP, onde é liberado apenas para dar umas voltinhas, sem testes mais aprofundados.

Homologado pela HRC, Honda Racing Corporation, Mi participou do desenvolvimento da linha CRF, inclusive no projeto do modelo 450cc com injeção eletrônica, em 2006, assim como também foi a mente brilhante por trás dos amortecedores de guidão que hoje fazem parte da linha off-road da marca. No mesmo ano de 2006, Mi voltou ao Japão para fazer um upgrade na sua licensa, permitindo então testar, além das motos oficiais, os protótipos tanto off-road como on-road. Na sua ida ao país do oriente, Mi foi convocado para o projeto da Honda RN01, uma bicicleta de downhill muito semelhante às motos da linha CRF. O modelo participou das etapas do mundial da modalidade com o sul-africano Greg Minnaar, conquistando o vice-campeonato.

Seu aprendizado em motos não parou por ai, e Mi foi até a Itália para estudar sobre suspensões, onde foi homologado pela Andreani, representante oficial das maiores marcas do mercado, como Öhlins, Showa, Kayaba e etc. O filho de Keiko ainda foi mais a fundo e resolveu dominar a arte das injeções eletronicas, fazendo parte do nascimento dos mapas de injeção junto com a Honda Japão. Mi utilizou seu conhecimento no assunto para desenvolver a primeira moto flex do Brasil. Atualmente, é o responsável pela nacionalização das motos, adequando os modelos para a necessidade dos brasileiros, acertando o posicionamento para os pilotos/usuários, a dirigibilidade, potência do motor, consumo e até a estabilidade das motos para as ruas do nosso país.

Com toda essa bagagem, Mi aproveitou para abrir sua própria oficina, a SENSEI SUSPENCIONS, especializada na manutenção, preparação e acerto de motos on/off-road. 





Depois de se estabelecer na Europa como um dos melhores técnicos do motociclismo esportivo, o preparador brasileiro Marco Bonesso deixou o Mundial de Motovelocidade no final do ano passado. Radicado na Itália, ele curte a família e encara novos desafios. Como o que deu à Honda o primeiro pódio na Supersport no prestigiado campeonato MotoAmerica (foto), com o piloto Benny Solis, que está sendo treinado por ele.

A sensibilidade de Bonesso pode ser comprovada quando, em uma entrevista para o SporTV em 2010, perguntei a ele sobre os riscos da vida de piloto e quem ele achava que era o mais maluco do grid da MotoGP. Ele disse que na MotoGP malucos se machucam cedo e logo se acalmam, mas citou na Moto2 o então ascendente Shoya Tomizawa, que havia vencido o GP do Qatar no início da temporada, dizendo que estava preocupado com a saúde dele. Poucos meses depois dessa declaração, o jovem talento japonês de 19 anos nos deixou...

​O MM conversou com Bonesso pelo telefone, e as imagens que ilustram a conversa foram enviadas pela internet, e mostram Marco na América, curtindo visitas à American Honda, Pro Circuit Racing, Troy Lee Designs, Yoshimura Suzuki, a pista de motocross de Milestone, onde Benny aperfeiçoa sua técnica,  e o fantástico Barber Museum, no Alabama, cuja pista este ano sediou  uma etapa do MotoAmerica.  Com vocês, Marco Bonesso.



Depois de tantas temporadas nos Mundiais de Superbike e Motovelocidade, como está a sua vida pós-corridas?
Ainda  estou  me organizando,  pois antes eu tinha somente um empenho, e ao invés disso, agora tenho diversos  projetos em andamento,  seja de trabalho seja  na vida quotidiana.



Do que você sente saudades e o que é um alívio não ter mais que fazer.
Direi que dos ultimos 5 anos não tenho muita saudade, mas quando penso na década de 90 e início dos anos 2000,  aí sim me bate saudade, principalmente vendo onde cheguei profissionalmente. Alívio direi que é ter uma vida mais tranquila como tenho hoje.



Na sua opinião, o que melhorou e o que piorou no Mundial de Motovelocidade.
Com certeza a mídia melhorou muito junto com o espetáculo, mas falando como um técnico, nos últimos anos o trabalho foi mais em desenvolvimento de softewares para a  eletrônica do que  na parte mecânica propriamente dita.



O que você está achando da temporada 2016 na MotoGP. Qual é no momento a melhor moto e quem é o melhor piloto?
Na minha opinião,  olhando hoje a classificação do Mundial de MotoGP, eu não esperava que Márquez estivesse em primeiro no campeonato e com tantos pontos mais que Valentino e Lorenzo. Acredito que Valentino e Lorenzo esqueceram de Márquez no  início do campionato e pensavam que seria uma briga entre eles. Penso que como moto a Yamaha é mais balanceada que a Honda,  enquanto  a Ducati sofre ainda em muitos circuitos. Quanto às outras marcas,  ainda estão em fase de desenvolvimento. Lembrando também que esse ano  os pneus jogam um fator importante em alguns resultados.
Considero Valentino Rossi o melhor piloto,  pois não é  facil com 37 anos ser ainda rápido,  ter humildade para mudar o estilo de pilotagem e trabalhar muito na  preparação física.



Que opinião você tem de Dani Pedrosa; você o teria na sua equipe? E Casey Stoner?
Pedrosa é um grande profissional;  infelizmente ainda não conseguiu ser campeão do mundo na MotoGP. Casey Stoner faz parte da historia da MotoGP e é dono de um talento natural ímpar.



Trace um panorama da Moto2, classe em que você esteve envolvido diretamente nas últimas temporadas. E fale um pouco de Franco Morbidelli, em quem você acreditou desde o início?
​No início a categoria moto2 foi muito interessante, pois sendo uma nova categoria tinha muito desenvolvimento, na parte de chassis, suspensões, pneus e escapamento.  Hoje já está no limite praticamente,  virou uma monomarca Kalex,  sem dizer que estão correndo praticamente com um motor obsoleto. Hoje o lado positivo da categoria moto2  é que realmente o piloto faz a diferença. Continuo acreditando em Morbidelli,  um piloto muito profissional e metódico no trabalho. Esse ano em algumas corridas cometeu erros de juventude, mas é muito, muito veloz...



Olhando para as classes de acesso, quem você acha que pode ser o grande nome do Mundial de MotoGP no futuro próximo?
Depende com que moto e equipe (risos).  Atualmente penso em Viñales com a Yamaha, não descarto um piloto que conheço bem, que é o Zarco, que tem um grande espírito de sacrifício para chegar no topo.



Olhando para as classes de acesso, quem você acha que pode ser o grande nome do Mundial de MotoGP no futuro próximo?
Depende com que moto e equipe (risos).  Atualmente penso em Viñales com a Yamaha, não descarto um piloto que conheço bem, que é o Zarco, que tem um grande espírito de sacrifício para chegar no topo.



Quem leva o título mundial de 2016?
Se nao tiver nenhum portão fechado (risos) no circuito, o Márquez sem dúvidas;  será ele o Campeã Mundial de MotoGP em 2016.
Como você vê e como é visto o motociclismo brasileiro em termos de acesso ao mundial. Você acha possível termos um sucessor de Alexandre Barros?
​As noticias que tenho do motociclismo são as que leio através de jornais de motociclismo do Brasil;  na Europa dificilmente escrevem algo do motociclismo Brasileiro .